Epitrix spp. é um pequeno coleóptero crisomelídeo pertencente à subfamília das álticas, ou "pulguinhas", cujas larvas causam estragos nos tubérculos de batateira, roendo galerias superficiais sinuosas com uma aparência muito característica.
É uma espécie exótica de origem norte-americana que foi identificada pela primeira vez em Portugal em 2008, pensando-se que terá sido introduzida acidentalmente em 2004, na região do Porto.
No caso específico de Epitrix similaris - espécie predominante na cultura da batateira - esta apresenta uma morfologia e uma biologia muito semelhantes à de outras espécies americanas do género Epitrix que também atacam a batateira nos EUA e no Canadá, nomeadamente E. tuberis, E. subcrinita e E. cucumeris. Esta última espécie foi também identificada em Portugal Continental, em 2008.
O inseto hiberna no estado adulto, normalmente em refúgios situados fora da plantação de batata em que se desenvolveu, nas fendas do solo, sob folhas ou outros resíduos da cultura, em sebes ou em margens não cultivadas.
No início da Primavera, os adultos hibernantes saem dos abrigos e retomam a alimentação nas plantas solanáceas que estiverem disponíveis, migrando para as batateiras depois da emergência destas. Após o acasalamento e um curto período de pré-oviposição, as fêmeas iniciam a postura dos ovos no solo, junto dos caules da batateira, de uma forma escalonada no tempo.
Depois da eclosão dos ovos, as larvas deslocam-se para a zona radicular da batateira, onde completam o seu desenvolvimento roendo raízes e a superfície dos tubérculos. Terminada a fase larvar, as larvas abandonam os tubérculos e transformam-se em pupas, no solo. Das pupas emergem os adultos de Verão, que dão início a uma nova geração de insectos. O ciclo completo dura cerca de 6 semanas.
Devido à grande longevidade dos adultos e ao escalonamento das posturas, o período de emergência dos adultos de Verão pode ser longo e originar uma sobreposição desta geração com a geração hibernante.
É de salientar que dada a grande semelhança morfológica existente entre os adultos das espécies E. similaris e E. cucumeris, a identificação específica é tarefa de um especialista, por se basear na observação microscópica de caracteres morfológicos internos que requerem a dissecção dos insectos adultos.
Whitney Cranshaw, Colorado State University, Bugwood.org
Em Portugal os adultos encontram-se ativos desde Março. A colonização das batateiras por estes adultos que sobreviveram durante o Inverno (geração hibernante) começa cedo, logo após a emergência, iniciando-se geralmente por focos localizados nas bordaduras do campo. Contudo, no caso de uma plantação muito atacada pela praga no ano precedente, podem ocorrer igualmente focos no interior da mesma, com origem em locais onde os adultos tenham hibernado.
Os adultos roem numerosos orifícios pequenos e redondos nas folhas ("crivado"). Estes estragos normalmente não afetam o desenvolvimento da planta nem a formação dos tubérculos. As larvas, pelo contrário, podem causar danos importantes, roendo raízes e a superfície dos tubérculos, que fica marcada por sulcos estreitos e sinuosos. Nalguns casos, as mordeduras são pontuais, prolongando-se para o interior do tubérculo numa curta galeria escura, ou numa cunha, com poucos milímetros de profundidade.
Embora estes estragos sejam geralmente removíveis pelo descasque da batata, podem ser mais profundos, aumentando os desperdícios de polpa, dificultando o processamento industrial dos tubérculos, provocando a rejeição por parte do consumidor e causando prejuízos económicos aos produtores.
Os fatores do meio que contribuem para limitar o desenvolvimento populacional da espécie ainda são pouco conhecidos. Um fator importante de mortalidade para os adultos hibernantes parece ser o encharcamento invernal do solo.
Além deste, outras formas de luta cutural incluem:
Já no caso da luta química é recomendada a plicação de:
Ambos os inseticidas têm o selo da Sipcam encontrando-se homologados para o combate desta praga na cultura da batateira.
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