RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS
ESTENFILIOSE DA PEREIRA
Casa Queridos | 2024-04-05

A estenfiliose da pereira é uma das doenças mais relevantes no panorama do Oeste, ao assumir um carácter epidémico com graves prejuízos à cultura da pera rocha.

Conhecida pela doença das machas castanhas, a estenfiliose é causada pelo fungo Stemphylium vesicarium e foi confirmada em Portugal em 1996 em alguns pomares de Alcobaça e Bombarral, tendo-se expandido muito rapidamente.

Este fungo pode ainda causar doenças em outras culturas hospedeiras como o alho, cebola, espargo ou girassol.

 

Ciclo biológico

O ciclo biológico do fungo é composto por uma fase assexuada [Stemphyliumvesicarium(Wallr.) E.G. Simmons], que constitui o período infecioso predominante em condições ambientais favoráveis, e uma fase saprófita sexual [Pleosporaallii(Rabenh.) Ces. & De Not.] que ocorre durante o inverno, quando as condições são adversas.

O ciclo começa no outono com a queda das folhas e dos frutos infetados, nos quais o micélio saprófita produz as frutificações de origem sexuada (pseudotecas), parcialmente imersas no tecido hospedeiro. Durante o inverno, formam-se os ascos dependendo da temperatura e da humidade relativa. No final do inverno e início da primavera (março-abril), a maioria dos ascos maduros contém os ascósporos prontos a serem libertados, que são transportados pelo vento e pela chuva.

As infeções iniciam-se através dos estomas nas folhas, e das lenticelas nos frutos. A emissão máxima dos esporos assexuados (conídios) ocorre após períodos de humectação. A germinação dos conídios ocorre apenas se houver água disponível ou humidade relativa muito alta (> 95%). Durante a germinação, as toxinas produzidas pelo fungo são responsáveis pelos sintomas da doença, com graus diferentes de toxicidade.

Estudos efetuados determinaram que as condições ideais para a infeção são cerca de 6 a 10 horas de período de humectação com temperaturas de 15ºC a 25°C. Após a infeção e dentro da faixa ideal de temperatura, os sintomas podem ser observados após 3 a 5 dias, mas tornam-se mais evidentes após uma a duas semanas.

As folhas e os frutos infetados que caem no chão são a principal fonte de inóculo para o ciclo seguinte da doença.

 

Sintomas

Estenfiliose

Os sintomas podem manifestar-se nas folhas e nos frutos, verificando-se por vezes em ramos jovens de cultivares suscetíveis, como é o caso da pera rocha.

Nas folhas aparecem inicialmente manchas castanhas que podem alastrar a uma grande superfície da folha em forma de cunha, característica típica da doença.

Nos frutos aparecem manchas circulares acastanhadas com uma orla avermelhada, estas podem aparecer lateralmente ou na fossa apical.

 

Medidas do Controlo / Luta

Caracterizada por ser uma doença de difícil combate devido seu rápido desenvolvimento, a aplicação de produtos fitofarmacêuticos é crítica para controlo desta doença. Por outro lado, também se recomenda a adoção de práticas culturais que visem a redução de inóculo e garantam um estado nutricional do pomar equilibrado.

Meios de luta cultural

  • Equilibrar o estado nutricional das árvores.
  • Reduzir o inóculo dos pomares, removendo folhas e frutos contaminados.
  • Melhorar o arejamento da copa das árvores.
  • Eliminar as infestantes, uma vez que muitas delas servem de hospedeiras ao fungo.
  • Melhorar a drenagem em solos húmidos.


Meios de luta química

Apesar da saída do mercado de várias substâncias ativas nos últimos anos, ainda existe uma vasta lista de substâncias autorizadas para a estenfiliose, assim optámos por não as mencionar, no entanto deve:

  • Alternar modos de ação dos produtos homologados de modo a não criar resistências.

 

Para mais informação relacionada com este tema (seleção dos melhores produtos, estratégias de combate, etc) não hesite em entrar em contacto com a nossa equipa de técnicos no campo.

 

 
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estenfiliose, pereira, fitossanidade
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