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2026-10-01
CONDUÇÃO EM EIXO ÚNICO E DUPLO EIXO: AVALIAR O POTENCIAL PRODUTIVO DA PERA ROCHA

A instalação de um pomar envolve decisões que condicionam o desenvolvimento das árvores e a capacidade produtiva ao longo do seu ciclo de vida. Entre essas decisões, o sistema de condução assume um papel relevante na definição da estrutura da árvore e na organização da sua área produtiva.

Na Pereira Rocha (Pyrus communis L.), a avaliação de diferentes sistemas de condução permite estudar alternativas para a organização da estrutura das árvores e para o aproveitamento da área disponível no pomar, tendo em vista o seu desempenho produtivo.

 

Dois sistemas de condução em avaliação

A condução consiste na orientação e organização do crescimento da árvore, através da definição da sua estrutura e da distribuição dos ramos produtivos. Esta intervenção procura estabelecer uma copa adequada às características do pomar, favorecendo a gestão da luz, do espaço e do desenvolvimento vegetativo e reprodutivo.

Para estudar melhor o impacto da condução no potencial produtivo, a Casa Queridos está a realizar um ensaio num pomar jovem de Pera Rocha. Neste pomar estão a ser acompanhados dois sistemas de condução: eixo único e duplo eixo.

No sistema de eixo único, a estrutura da árvore organiza-se em torno de um eixo principal. No duplo eixo, a árvore é formada a partir de duas estruturas principais, procurando distribuir o crescimento por dois eixos e favorecer uma maior ocupação da área produtiva.

 

O aproveitamento da área produtiva

A utilização do duplo eixo procura explorar a ocupação do espaço disponível para produção, constituindo uma alternativa cuja resposta deve ser avaliada nas condições concretas do pomar.

Já existem na literatura trabalhos em Pera Rocha que demonstram que diferentes sistemas de condução podem ter respostas distintas em termos de estrutura, produção, calibre, qualidade e economia [1].

Mais recentemente, o duplo eixo (bi-eixo) tem sido estudado como alternativa para modelos de pomar mais intensivos [2]. Estudos realizados em pomares de Pera Rocha têm procurado avaliar a sua capacidade e eficiência produtiva, comparando o desempenho deste sistema com o de árvores conduzidas em eixo vertical [3].

Os resultados obtidos mostram que o desempenho do duplo eixo pode variar em função das condições do pomar, reforçando a importância de avaliar este sistema nas condições concretas de cada exploração [3].

É neste contexto que surge o presente ensaio, onde são acompanhados dois sistemas de condução - eixo único e duplo eixo - num pomar jovem de Pera Rocha.

 

Um ensaio em acompanhamento

As árvores deste ensaio têm atualmente dois anos, pelo que o seu desenvolvimento e desempenho produtivo continuam em avaliação.

O ensaio está a ser acompanhado por um técnico da Casa Queridos, que monitoriza o desenvolvimento do pomar e acompanha a evolução das árvores ao longo do tempo. Este acompanhamento permite observar a resposta dos diferentes sistemas de condução e reunir informação relevante para avaliar o seu potencial produtivo à medida que o pomar entra em produção.

A comparação entre eixo único e duplo eixo constitui, assim, uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre diferentes formas de condução na pereira Rocha e acompanhar a sua resposta nas condições concretas do pomar.

Na Casa Queridos, o acompanhamento técnico passa também pela observação regular das culturas no terreno, permitindo acompanhar a sua evolução e apoiar as decisões ao longo da campanha.

Precisa de acompanhamento técnico para o seu pomar? Fale com a nossa equipa técnica.

 

Referências bibliográficas

[1] Comporta, A. S. F. (2010). Sistemas de condução em pereira ‘Rocha’: análise produtiva, qualitativa e económica. Dissertação de Mestrado em Engenharia Agronómica – Hortofruticultura e Viticultura, Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa. 

[2] Loureiro, F. P. S. (2021). Avaliação da condução em bi-eixo com poda mecânica para a formação do muro fruteiro em pereira Rocha. Dissertação de Mestrado, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa. 

[3] Félix, D. F. (2024). Avaliação da capacidade produtiva da pereira ‘Rocha’ no sistema de condução em “duplo-eixo”. Projeto Final de Mestrado, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Castelo Branco. 

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2026-09-11
ROTURA DAS LENTICELAS

As lenticelas são estruturas naturais presentes na epiderme dos frutos, responsáveis por permitir as trocas gasosas entre os tecidos internos e a atmosfera. Na maçã, estas estruturas assumem particular importância durante o desenvolvimento e no período pós-colheita, uma vez que alterações na sua integridade podem estar associadas ao aparecimento de determinadas desordens fisiológicas que afetam a qualidade e a capacidade de conservação dos frutos.

Rotura das lenticelas: quando o problema se manifesta?

Entre estas desordens encontra-se a rotura das lenticelas, caracterizada pelo desenvolvimento de alterações necróticas na zona das lenticelas. Os primeiros sintomas podem manifestar-se através do escurecimento das próprias lenticelas, evoluindo posteriormente para pequenas depressões e lesões de coloração castanha na superfície do fruto. Em determinadas situações, estas alterações tornam-se mais evidentes durante o período de armazenamento, fazendo com que frutos aparentemente saudáveis no momento da colheita apresentem sintomas posteriormente.

A variedade Fuji e a sua suscetibilidade

A ocorrência deste problema é particularmente relevante em algumas cultivares de maçã, entre as quais, destacamos a variedade ‘Fuji’, reconhecida pela sua suscetibilidade a diferentes desordens fisiológicas associadas à região das lenticelas. A expressão destas desordens resulta da interação entre a predisposição genética da cultivar, as condições verificadas durante o desenvolvimento do fruto, o estado fisiológico e nutricional da planta, a maturação à colheita e as condições a que os frutos são posteriormente sujeitos. A própria estrutura das lenticelas e da epiderme desempenha um papel importante neste processo. A superfície da maçã constitui uma barreira de proteção relativamente ao meio exterior, sendo formada por estruturas como a cutícula e a epiderme. Alterações na integridade desta barreira, incluindo a formação de microfissuras, podem aumentar a vulnerabilidade dos tecidos situados em torno das lenticelas.

Condições ambientais e desenvolvimento do fruto

As condições ambientais verificadas ao longo do ciclo cultural constituem, por isso, um elemento que não deve ser desvalorizado. Temperatura, disponibilidade hídrica e maturação podem influenciar o desenvolvimento da epiderme e a sua capacidade de acompanhar o crescimento do fruto. A evolução da maçã até à colheita envolve alterações significativas na fisiologia do fruto, na cutícula e nas características da epiderme. O momento da colheita e as condições a que o fruto é posteriormente submetido podem, consequentemente, influenciar a expressão de determinadas desordens fisiológicas durante a conservação.

Nutrição: uma abordagem integrada

Também a nutrição da planta deve ser encarada de forma integrada, considerando o equilíbrio entre os diferentes nutrientes e as necessidades da cultura ao longo do seu desenvolvimento. O cálcio, por exemplo, desempenha funções importantes na estrutura e estabilidade das paredes celulares e na qualidade dos frutos, mas a relação entre cálcio e rotura das lenticelas não permite estabelecer uma correspondência simples entre deficiência de cálcio e aparecimento desta desordem.

Por este motivo, a abordagem à rotura das lenticelas não deverá assentar numa intervenção isolada, mas antes numa estratégia integrada de acompanhamento da cultura, tendo em consideração as características da variedade, o desenvolvimento dos frutos, as condições meteorológicas registadas ao longo da campanha, o estado nutricional da planta e o momento de intervenção.

Para a variedade Fuji, a nossa equipa técnica considera uma abordagem que combina diferentes soluções, atuando em diferentes vertentes do desenvolvimento e equilíbrio da planta. Entre as soluções recomendadas encontram-se o Cyto Flow Betaína 30, o Calfor Advance, o Siliactiv Fe e o Basei Lec.

Estas soluções não devem ser entendidas como uma resposta isolada à rotura das lenticelas, mas como parte de uma estratégia de acompanhamento nutricional e fisiológico da cultura, ajustada ao estado das plantas, ao desenvolvimento dos frutos e às condições da campanha.

 

Se pretende saber mais sobre as estratégias de acompanhamento da cultura da macieira ou avaliar as soluções mais adequadas ao seu pomar, fale com a nossa equipa técnica.

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