A podridão cinzenta da videira (Botrytis cinerea), conhecida desde a antiguidade, é uma doença descrita por Ravaz em 1895 e que está presente em todos os vinhedos do mundo.
O fungo responsável pela doença pode ser, por um lado, o inimigo temido podendo por em causa a qualidade da colheita, afetando gravemente a composição qualitativa das uvas e dos vinhos dado que este fungo provoca alterações na cor e nos aromas e aparecimento de gostos anormais, iodados, terrosos, entre outros. Por outro lado, o amigo desejado de alguns produtores para que haja o desenvolvimento da forma de podridão nobre, podendo assim serem produzidos vinhos brancos licorosos de grande prestígio mundial (ex. Colheitas tardias).
A forma imperfeita do fungo é a Botrytis cinerea Pers. O micélio de cor acastanhado desenvolve os conidióforos que se ramificam e que terminam em ramos de conídios.
As frutificações dos conidióforos são ligeiramente coloridas a cinzento, dando origem ao nome da doença de podridão cinzenta.
Os sintomas da doença podem ser observados logo no viveiro, no decorrer do armazenamento dos bacelos enxertados. Um pouco mais à frente, ainda no viveiro podem-se verificar danos nos gomos dos enxertos prontos e no calo da enxertia.
Esta incidência mais acentuada da doença nesta fase é causada na maior parte das vezes por condições ambientais muito húmidas.
Na vinha, o fungo pode atacar todos os órgãos vegetais da planta tais como, gomos, folhas, pâmpanos, inflorescências e cachos.
As folhas apresentam umas manchas de coloração vermelho acastanhada de dimensões variáveis, que aparecem na periferia do limbo dando o aspeto de queimadura.
Em Primaveras húmidas e frescas, estas manchas nas castas mais suscetíveis cobrem-se de frutificações acinzentadas. Nos pâmpanos, podem-se observar manchas castanhas, mais ou menos alongadas e necroses acastanhadas a partir das quais podem secar e quebrar.
Antes e durante a floração, logo que a doença se começa a manifestar nas folhas, o fungo Botrytis cinerea pode destruir as inflorescências ou nos pedúnculos das flores, provocando uma podridão peduncular. O conjunto floral rico em nutrientes pode servir de base para focos primários de infeção.
No decorrer da alimpa as caliptras ao caírem causam pequenas feridas, que são portas de entrada para o fungo.
Mais tarde, os bagos atingem o limiar de sensibilidade máxima à doença, quando se dá o início da fase de pintor, logo que o teor em açúcar nos bagos começa a aumentar.
Nesta fase o fungo introduz-se pelas microfissuras da pelicula dos bagos que se tornam menos resistentes. Estas micro lesões cobrem-se de frutificações (micélio) cinzentas acastanhadas dispostas em forma de estrela - todos os cachos podem ser rapidamente atacados pela doença.
No final do verão e princípio do outono, nas vinhas onde se realiza a vindima mecânica e que estão atacadas com este fungo, pode ser observado na base dos sarmentos, que ficam com cor branca e cobertos de formações negras denominadas de esclerotos.
Controlo Cultural
As medidas culturais devem ser as primeiras a ser implementadas na estratégia de luta contra a podridão cinzenta. Estas medidas passam por:
Controlo MPI

Dada a dependência do clima e sensibilidade das castas o controlo com produtos fitofarmacêuticos torna-se muitas vezes uma arma eficaz na eliminação/ prevenção da instalação do fungo em momentos críticos.
Os fungicidas, aliados às medidas culturais, devem ser aplicados de modo preventivo, tendo em consideração:
São geralmente preconizados 4 tratamentos (Método Standard ABCD) em momentos chave para aplicação:
Um dos aspetos a considerar na eficácia dos tratamentos, em particular, nos 3 últimos, é a pulverização. Esta deve ser dirigida obrigatoriamente aos cachos, recorrendo a pulverização com gotas de pequena dimensão e transportadas por um fluxo de ar que permita uma boa distribuição da calda quer sobre os cachos quer no seu interior.
Para o efeito a Casa Queridos recomenda a aplicação de produtos como Abante® (IQV), Erune® 40SC (Ascenza), Scala® (BASF), Switch® 62,5WG (Syngenta) ou Teldor ® SC (Bayer)
Controlo Biológico

Para culturas em Modo de Produção Biológico recomenda-se a aplicação de soluções como Neoforce Care Protector (ADP), Serenade® Aso (Bayer), Carbofol Sec (Carbotecnica), Araw® (Sipcam), Romeo® (IQV) ou Serifel® (BASF).
Para escolher as melhores práticas culturais com base nas suas necessidades de produção não hesite em contactar a nossa equipa técnica.
Utilize os produtos fitofarmacêuticos de forma segura. Leia sempre os rótulos e a informação relativa aos produtos antes de utilizar. Em caso de dúvida, consulte os serviços técnicos da Casa Queridos.