A cultura do maracujá, quer do roxo quer do amarelo, é proveniente da região tropical da América.
Em Portugal é cultivado principalmente na Madeira e nos Açores, no entanto já começam a aparecer pequenas explorações no sul e no norte litoral de Portugal continental.
A antracnose do maracujá - causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides, que ocorre, principalmente, em frutos desenvolvidos - é considerada a mais importante doença pós-colheita da cultura, reduzindo o período de conservação dos frutos.
MORFOLOGIA
O nome Colletotrichum gloeosporioides designa a fase anamórfica (reprodução assexuada) do fungo, enquanto a fase sexual ou teleomórfica é chamada Glomerella cingulata. A fase anamórfica reproduz-se através de conidiosporos, enquanto Glomerella cingulata se reproduz através de ascósporos haplóides.
Colletotrichum gloeosporioides é caracterizado por estruturas reprodutivas ou esporos chamados conídios, que têm uma forma cilíndrica reta, com ápices obtusos e sem septos. Esses conídios têm um tamanho que varia entre 9 e 24 µm de comprimento por 3-6 µm de largura e são formados em fialaletos cilíndricos de aparência hialina.
Uma característica importante do fungo é que ele tem a capacidade de quiescência, ou seja, ele pode permanecer inativo nos tecidos das plantas infetadas, nos detritos das plantas e também nas sementes, o que lhe permite sobreviver por um longo tempo até as condições ideais para o seu desenvolvimento que são excesso de humidade e temperaturas elevadas.
SINTOMAS

© UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A antracnose é uma doença que afeta toda a parte aérea da planta, provocando sintomas nas folhas, frutos e ramos.
Os primeiros sintomas aparecem normalmente nas folhas sob a forma de manchas arredondadas. O número e tamanho das manchas é variável e, à medida que o fungo se desenvolve, provocam a necrose do tecido foliar. Estas manchas apresentam tamanho irregular, cor castanho-escura e não têm margens definidas. Observando atentamente pode verificar-se a presença de pequenos pontos pretos sobre as manchas tanto na página superior como na inferior, da folha.
Nos frutos aparecem manchas superficiais que se desenvolvem e originam podridões.
Nos ramos, observa-se a formação de cancros, lesões superficiais irregulares, de cor creme, que podem fazer com que o ramo seque.
MEIOS DE LUTA
Uma das medidas mais importantes para eliminar o fungo Colletotrichum é a realização de podas regulares, removendo as partes infetadas das plantas.
É fundamental manter um bom arejamento, evitando a acumulação de humidade, que favorece a proliferação do fungo.
O uso de fungicidas também pode ser uma opção eficaz para o controle do Colletotrichum gloeosporioides. Existem produtos disponíveis no mercado para o combate a esse tipo de fungo, sendo importante seguir corretamente as instruções de uso para garantir a eficácia do tratamento.
No caso específico da Antracnose do Maracujá a equipa técnica da Casa Queridos recomenda a aplicação de Ortiva (Syngenta).
Para a seleção das doses, períodos de aplicação mais apropriados e/ou outras metodologias de controlo e proteção recomenda-se a consulta de um técnico da Casa Queridos.