A anona, o fruto da anoneira (Annona cherimola), é uma espécie originária da América do Sul, nativa dos vales das terras altas da Cordilheira dos Andes, a altitudes entre os 1.300 e os 2.600 metros, abrangendo territórios do Chile à Colômbia, passando pelas zonas andinas do Equador, Bolívia e Peru. Os Incas consideravam-na uma verdadeira jóia, chamando-a "cherimoya", palavra que significava "peito frio", dado que o fruto seria considerado muito eficaz para tranquilizar e saciar as crianças de mais tenra idade.
A anona tem sido cada vez mais cultivada e apreciada em todo o mundo. A sua cultura remonta a 2.500 a.C., tempo em que já seria praticada pelos povos pré-incas. Porém, esta só chegou ao continente europeu muitos séculos mais tarde, através dos exploradores ligados à epopeia marítima dos Descobrimentos, encontrando-se cultivada na Ilha da Madeira.
Nesta ilha, a época de produção da cultura, dadas as condições climáticas típicas da região, ocorre entre setembro e maio.
A anoneira é uma cultura rústica. No entanto, como principais pragas, temos a mosca da fruta (Ceratitis capitata) e a cochonilha algodão (Planococcus citri e Pseudococcus longipinus). A nível de doenças, são predominantes a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) - em foco neste artigo - e a podridão radicular (Armillaria mellea).

As condições mais favoráveis para o aparecimento desta doença surgem com tempo chuvoso, a partir das primeiras chuvas dos meses de setembro e outubro, com valores de humidade relativa elevados e temperaturas baixas a moderadas. O fungo desenvolve-se assim desde o início da rebentação, atingindo folhas, flores e frutos a partir do tamanho de uma noz.
A doença caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas manchas escuras, que vão aumentando com a evolução da mesma, podendo provocar fendilhamentos nos frutos e perda de produção. O controlo desta doença faz-se recorrendo à aplicação de fungicidas homologados e medidas de combate cultural.
Podar as árvores.
A prática da poda diminui a incidência desta doença, promovendo a eliminação nas árvores das "múmias" do ano anterior que ficaram petrificadas e penduradas nos ramos. Estes detritos vegetais provenientes da poda devem serem queimados, pois são foco de contaminação e proliferação dos esporos do fungo no pomar.
Aplicar de Calda Bordalesa.
O controlo desta doença faz-se recorrendo à aplicação de Calda Bordalesa, um fungicida homologado para o efeito, a aplicar a partir do vingamento dos frutos. O único inconveniente é que o fruto irá apresentar sinais da sua aplicação.
As doses a aplicar deste fungicida variam conforme as necessidades de cada cultura pelo que deverá pedir aconselhamento junto de um técnico especialista antes de aplicar estes produtos.
Caso necessite de ajuda especializada no terreno não hesite em contactar a nossa equipa de especialistas.