RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS
MOSCA DO SOLO EM NABO ROXO
Casa Queridos | 2024-01-26

O Nabo (Brassica rapa L. var. rapa) é uma planta herbácea com sistema radicular aprumado e carnudo caracterizado por uma coloração uniforme (branco) ou bicolor (branco e roxo).

No caso específico do nabo roxo este pode identificar-se pelas folhas de cor verde médio a escuro de textura rugosa e áspera e pelas flores de corola amarela agrupadas numa haste floral. A espécie origina um fruto nomeado de síliqua. Esta variedade bianual apresenta um ciclo cultural com duração compreendida entre 40 a 60 dias na Primavera e Verão e 90 a 100 dias no Inverno.

As variedades temporãs apresentam raiz branca, de cor roxa no topo, possuem pele lisa e uma boa capacidade de conservação após a colheita – que se realiza a cerca de 50 a 80 dias após a sementeira ou cerca de 30 a 60 dias após a plantação.

 

Condições edafoclimáticas

O nabo não tolera temperaturas baixas nem demasiado elevadas. Apresenta paragem de crescimento entre os 3 e os 5ºC. A temperatura ótima de crescimento situa-se entre os 15 e os 20ºC. Em condições de baixa percentagem de humidade atmosférica, a floração é precoce e as raízes são mais finas e fibrosas.

Para uma cultura vigorosa os solos devem ter textura franco-arenosa, ser ricos em matéria orgânica (entre 2 a 4%) e apresentar valores de pH entre 6,0 e 7,5. Valores baixos de pH no solo podem dar origem a ataques de pôtra ou hérnia. Os solos demasiado ligeiros ou calcários tendem a endurecer as raízes e a conferir-lhes mau gosto.

 

Pragas e doenças

A cultura do nabo é suscetível a doenças e pragas como a áltica, mosca da couve, larvas de noctuídeos, míldio, podridão cinzenta, alternariose, potra, falsa potra, vírus do mosaico e vírus da beterraba.

O presente trabalho foca-se especificamente na praga mosca da couve (também conhecida por mosca do nabo), uma praga que se reproduz no solo.

Mosca do solo em Nabo Roxo

Mosca do Nabo

Atualmente a Mosca da couve (Delia radicum L.)  assume uma grande importância económica pelos estragos causados nas culturas de brássicas (couves, nabo e nabiça). No caso específico da cultura do nabo roxo, esta praga é responsável pelos estragos que são bem visíveis na parte da raiz da planta e desvalorizam comercialmente a cultura: escavam galerias, danificam as raízes das plantas e “abrem portas” para o ataque de outros agentes patogénicos que causam doenças.

No caso da cultura do nabo em geral, as plantas que sofrem ataques começam a secar, podendo murchar completamente num curto período de tempo (mais rapidamente nos meses de maior calor), devido aos danos causados na zona do colo e raiz pelas larvas da mosca, podendo haver seccionamento completo da parte aérea da planta.

O desenvolvimento completo da mosca tem a duração de cerca de 6 semanas. As fêmeas fazem a postura dos ovos em pequenos grupos, junto ao colo da planta hospedeira e estes eclodem 3 a 6 dias mais tarde. Da sua eclosão surgem as larvas, que penetram no colo e raiz das plantas, escavando galerias à medida que se alimentam.

Após 3 ou 4 semanas de desenvolvimento, as larvas da última fase (3º instar) migram para o solo onde pupam. Os adultos da nova geração emergem duas semanas mais tarde. A praga apresenta 3, 4 ou mais gerações anuais, a partir do início do mês de abril até o início de outubro, e as fêmeas têm uma fecundidade na ordem de 150 ovos.

 

Meios de luta

Atualmente existem três meios de luta contra esta praga do Nabo: cultural, biológica e química.

1. Cultural

  • Boa preparação do terreno, evitando o fendilhamento da superfície do solo, através de uma boa gestão da rega e mobilizações (sachas) regulares. (Esta medida tem algum efeito na redução da população da praga, ao expor as pupas.)
  • Destruir os restos da cultura e eliminar as infestantes;
  • Cobrir a cultura com manta térmica, quando as plantas tiverem 3 folhas (impede a realização de posturas por criar uma barreira mecânica);
  • Realizar rotação de culturas. Ao colocar no solo outras plantas que não sejam hospedeiras, como por exemplo feijão, abóbora, tomate, entre outras, cria-se uma interrupção do ciclo de vida da praga;
  • Uso de armadilhas (utilizadas também para efeitos de monitorização da praga). No caso específico da cultura do nabo recomenda-se a utilização das placas cromáticas amarelas Horiver da Koppert.

Podem ainda usar-se armadilhas para ovos (armadilhas em feltro ou outro material fibroso, colocadas ao nível do solo, quando as plantas têm 4 a 6 folhas) que permitem a entrada da fêmea e subsequente postura dos ovos, que acabam por secar e não se desenvolver.

2. Biológica

Para a luta biológica foram feitos ensaios bem sucedidos com os nemátodes entomopatogénicos Entonem da Koppert.    

3. Química

Nos casos em que as lutas anteriores não apresentem resultados significativos na redução/erradicação da praga recomenda-se a utilização de inseticidas específicos, nomeadamente Spintor© (Corteva) ou Belem Pro© (Nufarm).

As doses a aplicar variam conforme as necessidades de cada cultura pelo que deverá pedir aconselhamento junto de um técnico especialista antes de aplicar estes produtos.

 

Caso necessite de ajuda especializada no terreno não hesite em contactar a nossa equipa de especialistas.

 

 

 
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Tags
nabo, delia, mosca, horticultura
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