RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS
INFESTANTES EM VINHA
Casa Queridos | 2024-02-29

A cultura da vinha é, do ponto de vista económico e social, uma das culturas mais importantes do nosso país. Como todas as outras culturas, a presença de infestantes na vinha prejudica de diversas formas o seu desenvolvimento e consequentemente a sua produção.

Caracterização

As vinhas jovens são mais sensíveis à competição criada pelo desenvolvimento descontrolado das infestantes. Prejudica a taxa de sucesso de transplante, inibe o crescimento da planta e ainda provoca o atraso na entrada em produção.

Nas vinhas adultas, desde a floração até ao pintor é a fase mais crítica em que as infestantes condicionam o sucesso da cultura. Promove o aparecimento de doenças (efeito microclima) e favorece a presença de algumas pragas como os ácaros e as cigarrinhas. Contudo na altura em que a cultura se encontra em repouso vegetativo tem algumas vantagens como a conservação do solo, evita a erosão hídrica e favorece a transitabilidade das máquinas.

Algumas práticas recorrentes para o combate das infestantes, são a mobilização do solo, a implantação de cobertos vegetais semeados, a monda mecânica, a monda térmica e a mais difundida e comum, monda química que pode ser total ou parcial (apenas na linha das videiras).

Controlo da doença por monda química

Sendo a monda química o mais utilizado no combate às infestantes esclarecemos como se deve efetuar a escolha mais correta. Além do custo do produto, a escolha do herbicida deve ter em conta:

1) A idade da vinha

Existem produtos que podem ser aplicados em vinhas consoante a sua idade, que garantem mais ou menos resistência a determinada substância ativa.

2) O tipo de solo

A textura do solo afeta diretamente a forma como os herbicidas atuam, de tal forma que a dose recomendada para um solo de textura pesada (argila) é diferente da dose para um solo de textura leve (areia) e pode afetar gravemente a cultura se não for tido em conta. O teor de matéria orgânica do solo, conhecido pelo seu poder tampão, pode ajudar a que o herbicida seja mais ou menos eficaz.

3)  As infestantes prováveis e/ou presentes

Quando o tipo de herbicida que utilizamos não é seletivo, apenas irão resistir algumas espécies de plantas que não são suscetíveis à substância ativa ou então já possuem algum tipo de resistência e o herbicida não é totalmente eficaz.

No caso de se aplicar um herbicida seletivo, este apenas irá atuar sobre determinada(s) espécie(s), mas pode ser misturado uma ou mais substâncias ativas aumentando assim a eficácia e o espectro de infestantes a eliminar.

A eliminação das espécies de infestantes presentes na cultura irá sempre ser mais eficaz quanto mais seletivo for o herbicida, seja aplicado de forma correta e ainda incida sobre o estado mais adequando da infestante (ex: plântula, crescimento ativo, floração ou produção de semente)

4) Características e épocas de tratamento

Os herbicidas dividem-se consoante o seu modo de ação, podem ser de ação residual, de contacto ou sistémica.

Os herbicidas residuais ou pré-emergência têm uma fraca ação ou nula sobre infestantes que já germinaram. O seu efeito persiste no tempo (mais ou menos longo), daí a sua designação residual. Alguns podem ser aplicados após recente germinação das infestantes, uma vez que possuem efeito sobre as plântulas. A sua aplicação deve ser feita preferencialmente sobre solo nu, para que seja potenciado o seu efeito anti germinativo.

Os herbicidas pós-emergência dividem-se em sistémicos ou de contacto e apenas permitem eliminar as infestantes já nascidas penetrando através das partes aéreas da planta.

A aplicação de herbicidas normalmente divide-se em duas épocas. A de Outono-Inverno (no repouso vegetativo) e Primavera-Verão (época de desenvolvimento vegetativo).

No Outono-Inverno opta-se pela utilização de herbicidas pós emergência para o combate das infestantes que surgem após as chuvas. Na primavera aplica-se se necessário algum herbicida para combater infestantes germinadas e pode se aplicar juntamente os herbicidas residuais. Há ainda algumas soluções no mercado designadas por herbicidas mistos que na mesma formulação incluem uma substância pré e pós emergência.

Controlo de Infestantes em Vinha

Soluções recomendadas

De uma forma geral recomenda-se a aplicação dos seguinte herbicidas confore a idade das vinhas

Vinhas novas

Herbicida de Contacto Mizuki® (Sipcam) 
Seguido de
Herbicida Residual Stomp® Aqua (BASF) 


Vinhas mais velhas (em produção)

Herbicida sistémico Montana® (Ascenza) ou Roundup® Ultramax (Bayer)
Seguido de
Herbicida residual Fuego® (Ascenza) ou Galigan 240 EC (Nufarm)

 

As doses a aplicar dos herbicidas recomendados variam conforme as necessidades da cultura pelo que deverá pedir aconselhamento junto de um técnico especialista antes de os aplicar.

 

Para finalizar, na altura da aplicação de herbicidas são fundamentais alguns cuidados como:

  • Aplicar com base no volume de calda por hectare (calibração de equipamentos), e atender ao tipo de bicos utilizados (utilizar sempre que possível bicos com redução de deriva – anti-drift.
  • Aplicar no momento oportuno, isto é, nos primeiros estados de desenvolvimento das infestantes, e caso a vinha já tenha iniciado a rebentação, eliminar os ladrões do tronco previamente, no caso de herbicidas sistémicos.
  • Ser efetuada sempre em baixo ou médio volume, evitando deriva ou arrastamento do produto para a vinha ou culturas vizinhas (evitar fitotoxidade), e distribuindo-o uniformemente, através de uma gota fina e baixas pressões de trabalho do equipamento.

 

Caso necessite de ajuda especializada no terreno não hesite em contactar a nossa equipa de especialistas.

 

 
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Tags
vinha, infestantes, herbicidas
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